Análise dos dados do CUB e do mercado imobiliário explica a diferença crescente entre as duas maiores metrópoles do país — e o que isso significa para quem compra ou aluga.
Em maio de 2025, o custo unitário básico de construção residencial em São Paulo ficou em R$ 2.934/m², contra R$ 2.612/m² no Rio de Janeiro. Uma diferença de 12,3% que não existia três anos atrás — em 2022, os valores eram praticamente idênticos. O que mudou?
A resposta envolve pelo menos três fatores: diferença no custo da mão de obra, variação nos preços de materiais regionais e, principalmente, diferença na composição do mercado de construção nas duas cidades.
São Paulo absorveu um volume maior de obras de alto padrão nos últimos dois anos. Empreendimentos de luxo e corporativos puxam a demanda por mão de obra especializada, elevando os salários do setor acima da média nacional. No Rio, o mercado de alto padrão cresceu menos, e o setor de obras públicas — que paga menos — tem peso maior na composição do CUB local.
O economista Henrique Leal, que acompanha o setor imobiliário há vinte anos, aponta outro fator: "São Paulo tem uma cadeia de fornecedores de materiais mais desenvolvida, mas também mais cara. A competição entre fornecedores no Rio ainda é menor, o que paradoxalmente mantém alguns preços mais baixos — mas também limita a oferta de materiais de maior especificação."
Para quem compra um imóvel, o CUB é apenas um dos componentes do preço final. Terreno, margem do incorporador e custos financeiros têm peso igual ou maior. Mas a divergência entre as duas cidades indica que São Paulo está se tornando estruturalmente mais cara para construir — o que, no médio prazo, tende a se refletir nos preços de venda e locação.
Economista com foco em mercado imobiliário. Produz os indicadores e análises quantitativas da publicação.